04/01/10
Blog novo!
A partir de 2010 ele se chama mondanites.wordpress.com
Ano-novo, blog novo, nome novo!
31/10/09
Moi et Mademoiselle
B
om, estou querendo escrever sobre desde que cheguei na França! Comentei já que, durante minhas primeiras semanas aqui, minha leitura de todos os dias estava sendo L´Irregulier, biografia de Coco Chanel escrita por Edmonde Charles Roux que inspirou o filme, Coco Avant Chanel- que eu não consegui assistir! Vale lembrar que esta não é a única biografia de Madmoiselle. Ela própria “ditou”, digamos assim, suas memórias a Paul Morand, seu amigo e amante.
Pois bem, nunca escondi minha paixão por esta figura,não pela simpatia, pois este nunca foi seu forte, mas- não gosto do termo, mas voilá- por ser uma self-made woman, em pleno início de século XX. Irrégulier, é verdade, mas que construiu uma marca-império, de alcance global e, raro nos dias de hoje, não pertence a nenhum grupo e é dirigida com extrema discrição pela familia Wertheimer, cuja relação co m Chanel data da crição do mítico Nº5. Isso sim para mim é luxo…![]()
Mas, voltando a obra de Charles Roux, o interessante da biografia é que aos poucos ela vai despindo, com sutileza, o mito, até nos fazer deparar com a mulher Gabrielle, cujo olhar apurado invadiu o guarda-roupa masculino para retirar dele o que lhe convinha- e às mulheres de seu tempo. Ao fazer isso, Chanel, de certa forma, anuncia a mudança que vai acompanhar o comportamento feminino ao longo do século XX.
E, fato é, que maculino/feminino está em voga, como na capa da Marie-Claire que comprei ainda no aeroporto- bastante texto para exercitar o francês e passar o tempo, no corpo das francesas- e não só no das parisiennes- que combinam paletó+calça skinn
y+chapéu+batom vermelho.
Pergunto então, qual é o l´air du temps? E encontro resposta novamente no universo Chanel, através do olhar de Karl, que brinca com seu pupilo: Baptiste nu e de salto-alto, ou na passarela consagrada essencialmente às mulheres.Pois se Coco aproxima as mulheres do universo masculino, Karl nos sugere o inverso e, penso eu, pode ser este o momento de nos perguntarmos não quem é a nova mulher, mas qual o novo homem nesta quase uma década de século XXI.
29/10/09
Dans la peau du gant

Assim se chama a exposição de luvas que pode ser conferida no Musée des Tissus de Lyon até março no ano que vem.
Como, infelizmente, o museu não permite fotos, fica a imagem do cartaz oficial da expo e um breve descritivo sobre o que podemos encontrar….
Trata-se de uma seleção de mais de 150 luvas, que datam do fim da Idade Mèdia aos nosso dias, povenientes dos arquivos do Museu assim como do acervo da Maison Hermés, do Museu de Millau e da Maison Causse- tradicionalíssima no que diz respeito à confecção deste artigo.
Por que luvas? Não apenas por sua questão funcional, de proteção às mãos ou mesmo pelo seu apelo à elegância, seja na Moda ou no Cinema, mas também pelas suas características simbólicas ao longo de sua história: nas sociedades feudais por exemplo, a luva pode substitui a mão, ou seja, o objeto torna-se representante da pessoa.
O par de luvas mais curioso, sem dúvidas, é uma réplica desenvolvida pela Maison Hermés, no final do século XVIII, que pertenceu a Madame de Sevigné. A original, conta Madame em carta para sua amiga Madame de Grignan, em junho de 1671, chegou de Vendôme guardada dentro de cascas de nozes, tamanha sua maciez e elasticidade.
Como se fabrica uma luva? Com pele de cabra ou cordeiro que, depois de limpa e estirada, pode ter um acabamento tipo nobuck, veludo ou encerado. Após o processo de corte, as costuras recebem atenção especial, não devendo ter mais do que 1mm para não atrapalhar o movimento dos dedos e, consequentemente o conforto da luva- e, no quesito costura de luvas, a Singer foi também pioneira.
A expo contempla ainda luvas esportivas, luvas de trabalho e, não sem um certo destaque, podemos encontrar ainda as luvas de M. Lagerlfed e as da coleção Haute Couture criadas para Chanel em 2006.
28/10/09
Desmistificando…
Dois meses de França! Dedico o post a uma lista de constatações e descobertas…
1. Os franceses são chics: sabem combinar cores e formas. Odeiam o temido bling bling- enão é a toa que uma rainha perdeu a cabeça em função justamente dos excessos.
2. As francesas são magras, apesar de o corpo tipicamente francês, de acordo com as pesquisas antropométricas, ser em formato de pêra e as medidas da população estarem aumentando- eles também sofreram a invasão fast-food.
3. Francesas usam pouca maquiagem e amam sapatilhas.
4. O preço é o atrativo número 1 de compras para eles. Pasmem- como eu pasmei!-mas os números da associação Habillement Rhône-Alpes dizem que a verba anual para as despesas com vestuário é de 650 euros. Por familia!!! Ou seja: Made in France não é para a France….Torna-se uma marca com alto valor no que diz respeito à exportação.
5.Mesmo assim, muitos franceses conferem a procedência da roupa na etiqueta antes de comprar- de acordo com a procedência não compram! Ou reclamam do preço: se Made in China sai barato para a empresa, deve sair barato também para o consumidor final.
6.A França está realmente em crise. A moda para comprar griffe são os sites de vente-privée, que são uma espécie de outlet online.
7.Empresas francesas terceirizam sua produção na Turquia, Marrocos, Egito- região chamada Magrheb- ou nos Países do Leste, como Polônia e Bulgária.
8.Gilles Lypovetsky não é uma celebridade na França.
9. Poucos alunos da turma sabiam que Louis XV usava salta-alto- achavam que Sarko tinha sido pioneiro!- ou seja, a Moda faz parte da França mas nem todo francês conhece a História de sua Moda.
10. A França rivalisa com a Itália assim como nós rivalisamos com a Argentina. Quando algo tem aspecto barroco, ou bling bling, dizem que tem um “estilo” italiano.
11.Perfume francês é caro mesmo aqu. E alguns franceses realmente não tomam banho.E descobri que Chanel Nº5 realmente combina com a França…
12.Carro aqui não é gênero de primeira necessidade. Tomo mundo anda de metrô, de tramway ou de bicicleta.
13. E, quem tira licença para dirigir, deve andar durante dois anos com um super adesivo com a letra A- de aprendiz- grudada no carro.Sinceramente eu preferiria que pensassem que eu dirijo mal por que sou loira...
14. Manicure na França custa 50 euros, ou seja, 150 reais. Sem tirar a cutícula! Quer vir para a França e ganhar um extra? Invista em um curso de manicure…Sai caro ser bela no país da beleza!
15. Nem todo o francês gosta de Paris. E a parisienne é diferente da francesa…Ou seja, a França não é Paris!
16. A comida realmente é muito boa e o vinho, mesmo o mais barato, não dá dor de cabeça.
17. Franceses adoram o Brasil! Apesar de os guias de viagem daqui avisarem que lá é perigoso sair na rua após as 17h….E conhecem música brasileira também: Caetano, Elis…Até agora só encontrei uma francesa que me perguntou sobre a Daniela Mercury.
18. Por fim, franceses não são assim tão mau humorados, nem tão metidos…Amam papéis, são burocráticos,são um pouco cerimoniosos, sim. Mas é a diferença que enriquece a experiência! Vive la France…Et les français.
05/10/09
La rentrée
-ou: para dar notícias…-
Ok, estive um pouco ausente mas as razões, tenho certeza, serão bastante convincentes.
Mudei na semana passada, uma semana antes do início das aulas e a novidade é que tenho uma colocataire, a Fernanda, também braisileira e colega de curso. Com isso alugamos um T2,ou seja, um ape de 45 m, com cozinha americana, quarto com cama de casal, sofá-cama – ou clic-clac- na sala, dois armários grandes,banheiro grande com banheira e sacada. Parece que a demora foi proposital…Acabei ganhando uma amiga e estamos super instaladas.
A residência onde moramos fica na Part-Dieu, é uma região de affaires, próxima a gare e ao maior centro comercial da cidade- leia-se shopping center...
A nossa mudança foi meio tumultuada- apesar de termos apenas malas para carregar- pois a TCL, empresa de transportes de Lyon, estava em greve. Apenas hoje a situação está, aos poucos, sendo normalizada.
Mas, fora o fato de não termos roupa de cama no primeiro dia em que dormimos aqui, nosso ape já está com cara de lar: a super Mady nos emprestou louça e roupa de cama e fizemos boas compras na IKEA. Ah, e ainda temos um forno microondas, que nos rendeu boas risadas! Pois o compramos em um Carrefour, bastante próximo, o problema foi carregar a caixa até em casa, o que fizemos nos revesando. Até que a Fernanda, que já não sabendo mais como carregar aquele peso, resolve colocar a caixa na cabeça- o que, tendo em vista o look vestidinho, meia-calça e sapatilha, resumia bem o glamour de quem ganha em reais e gasta em euros….Boas risadas.
Aliás, preciso deixar registrado que estou em um processo um pouco Benjamin Button: volta e meia me lembro dos anos de graduação em Caxias do Sul- descobertas, apertos, possibilidades….Minha turma é bastante jovem e acolhedora. Curiosamente eu, a que sempre fui precoce, sou uma das mais velhas pois o pessoal tem idade em torno dos 23 e 24 anos. E a cada aula quando os ouço cheio de planos penso quase me emociono: penso que essa guinada francesa que dei na vida me permite ainda sonhar outra vez- mesmo que isso pareça piegas!- ou repensar, recomeçar nessa profissão Moda que escolhi e que amo.
Sobre a primeira semana de aula, posso dizer que os horários são bastante irregulares, intensos mesmo. Dos conteúdos, variam de História dos Tecidos à Inglês, passando por E-marketing e Moda e Cinema ( Jô, lembrei muito de ti….Assistimos September Issue e a aula foi rica em insights! Te envio a lista de filmes para curtires enquanto Antônio/Amora não chega).
Lyon já é quase Porto Alegre…A cada dia admiro suas cores, seus contornos e suas possibilidades.
Ah,outra das razões que me fizeram não poder dar notícias: nossa internet é bastante lenta. Às vezes fica realmente difícil postar fotos, usar skype, messennger ( Malala!!! Saudades…Só nos desencontramos, né? )
Enfim, o texto sobre minhas reflexões sobre a Moda vem em breve. Esse é para dar notícias…
X Bienal de Lyon
Ma coloc!
22/09/09
C´est fini l´été
Depois de Paris la rentrée! É assim que os franceses chamam a sua volta às aulas.
Finalmente conheci meus colegas de curso- uma turma super internacional- e o curso em si- horários, estrutura professores….Vou ter aulas de segunda à sexta, cada dia em um horário diferente, e diferentes disciplinas também- une folie!
Mas, em compensação, teremos aula no Musée des Tissus, e é lá que fica a biblioteca do curso- quem me conhece sabe que ao saber disso meus olhinhos brilharam e as perninhas se sacudiram!
E hoje faz um mês que cheguei na França! Ainda não mudei para o studio que deverá ser meu endereço definitivo durante este tempo de étudiante e, até agora, não me senti muito a vontade para nenhuma reflexão sobre a Moda- afinal este país pode ser considerado seu berço. Adianto apenas que minha leiturinha de todas as noites tem sido L´irrégulier, de Edmonde Charles-Roux, livro que originou o filme Coco Avant Chanel e tem servido de inspiração para devaneios que logo,logo virão à tona.
Pois é preciso treinar o olhar. E, definitivamente, não tenho foco, zoom de vinte e poucas vezes. Meu olhar é panorâmico. E acho que é por isso que me perco um pouco, às vezes…
Antes de me sentir à vontade para falar dos modus franceses precisei- e ainda preciso!- compreender, além de suas palavras, o tom da voz, suas interjeições, seus olhares, seus gestos…Compreender ,por exemplo, que aqui um almoço pode ser um sanduíche de baguette, que o queijo é servido após as refeições- e elas comem só um pedacinho, por isso não engordam!, aperitif é um termo que só se usa para bebidas e petiscos são chamados de amuse-gueule- adoro a expressão!
E sempre, sempre, é preciso dizer bonjour, merci e au revoir.
Franceses amam papéis, documentos, dossiers- só para eu entrar no curso fora necessários três!- amam a burocracia -e as férias!- e tudo tem um ritmo mais lento, quase cerimonioso- um depósito bancário,por exemplo, pode demorar dias para ser contabilizado e um simples talão de cheques precisa ser solicitado com uma semana de antecedência.
É preciso ainda entender todos os pesos da palavra "tradição" e compreender uma cultura que muitas vezes é feita de silêncios- o que pode ser muito difícil para quem viveu sempre em um país tropical, abençoado por Deus, jovem e bastante tolerante à cores, credos,línguas e tudo o mais que a palavra tolerância puder tolerar.
Enfim, o verão acabou. Meu relógio biológico está esperando a primavera. Mas mais uma vez será outono. Il faut que eu acolha as sementes para que meu jardim possa ter flores diferentes.
12/09/09
Ah, e se nada der certo eu vou fugir para Paris…
E vou ficar lá, esquecida do mundo e da vida, “turistando”, enfiada nos corredores do D´Orsay. Vou escolher cada dia um quai para esperar o sol se pôr.
Posso ainda pagar promessa em Notre Dame ou subindo a escadaria de Montmartre.
Lá ainda tem a casa- e a feijoada!- do amigo Dorian. E o metrô ainda lembra as roads e as lights de um show do Oasis que não aconteceu.
Tem ainda e Torre Eiffel, monumental dia e noite exatamente para lembrar quem porventura estiver descrente que, sim, se está em Paris!
E quando eu cansar, vou sentar num café- une bière et un croque-monsieur- para poder admirar a elegância despretensiosa das parisiennes.
Mais perfeito impossível, ainda mais quando se está com o Amore….
Cenas de um casamento?
A elegância discreta de suas meninas